O momento é lindo... e louvável. Muita gente do bem de mãos dadas, o lago enlaçado... em encontro alegre. Espíritos encorpados de boas intenções... e, ups, políticos posando para fotos: só sorrisos !
E no dia seguinte... lá está o lixo. E no mês seguinte o lodo. E em ano seguinte a inundação.
O lago, nessa manhã festiva, é colorido, vibrante. Protagonista, amealha todos os olhares e atenções. Antes e depois, contudo, recebe mais: infinidades de detritos, muita sujeira, pouco caso... além de baldes de discursos e intenções
. Fora dos holofotes é tratado com descuido, abraçado por margens mal cuidadas, vias entupidas, entulhos. Presenteado com papéis, plásticos, dejetos... objetos descartados: desconsiderações.
Não me fiz presente ao evento. Prefiro abraçar o lago aos pequenos gestos, em doses homeopáticas e mais frequentes, sem data específica, sem festa, sem rojões. Escolho abraçá-lo com meus clicks, preservando alguma história, registrando o belo... enquanto lá, vivo.
Opto por abraçá-lo não deixando marcas de meus passos, em forma de papéis ou quaisquer outras lembranças não biodegradáveis. Faço questão de abraçá-lo não destruindo trilhas, bancos, pontes, placas, luminárias... enquanto há quem o faça pelo prazer de imprimir degradação. Escolho abraçá-lo não semeando restos ao redor, não fazendo tiro ao alvo em suas águas. Não desfazendo-me do indesejado, atirado de bolsos, bolsas, janelas, seja lá onde for... senão em devidas latas de despejo. Opto por abraçá-lo com atos singelos cotidianos. Quem sabe acolhendo atitudes irmãs ?!
Porque as grandes ações são sempre bem vindas mas as pequenas, mais que isso, são fundamentais.
E uma coisa é certa: cada um dá o que tem. Cada um faz o que é capaz.